O processo de aprovação do filme “Piratas do Caribe” - a visão artística X a visão corporativa
Quando o produtor Jerry Bruckheimer assume algum projeto, pode esperar que algo diferente está para acontecer e isso é uma das qualidades que eu mais aprecio em um profissional que trabalha com entretenimento. Bruckheimer foi o cara por trás de sucessos do cinema como “Flashdance”, “Top Gun”, “A Rocha”, “Con Air”, “Pearl Harbor”, apenas para citar alguns; e com certeza essa enorme lista de projetos (muitos deles sucessos no Cinema e na TV) renderá muitos posts nesse blog.
“Piratas no Caribe” tinha tudo para ser mais um filme “Sessão da Tarde”. A idéia inicial do VP de Produção dos estúdios Disney na época, Brigham Taylor, era produzir um filme de baixo orçamento para o mercado de vídeos, inspirado na atração da Disneylândia do mesmo nome. Era basicamente uma estratégia do Diretor dos Estúdios Disney, Dick Cook, de usar o KnowHow de atrações de sucesso dos parques como tema no desenvolvimento de projetos para home-vídeo e Cinema (Beary e os ursos caipiras e Mansão Mal Assobrada também estavam em desenvolvimento). Cook acreditava que “Piratas do Caribe” tinha um potencial maior para ser explorado e sabia que a Disney poderia comprar sua idéia, pois o filme “Mestres dos Mares” com Russell Crowe estava em desenvolvimento e Taylor havia sido um ferrenho defensor de que a Disney era capaz de criar seu próprio filme de aventura ambientado em alto-mar. Bruckheimer sempre foi um Produtor que tem como conceito apenas produzir projetos que quisesse assistir, quando Cook o procurou, depois de ter enviado o 1o tratamento do roteiro, sua resposta foi categórica: “Não é o filme que me levaria para o Cinema. Esse roteiro não me impressiona”. Imediatamente ele encaminhou o roteiro para os Roteiristas de “Shrek” (Ted Elliot e Terry Rossio), pois sabia da paixão dos dois pelo tema. Depois de analisarem o roteiro, Elliot e Rossio, ligaram para Bruckheimer com uma nova idéia: “Os piratas seriam amaldiçoados. Já estariam mortos, mas tentariam recuperar um tesouro roubado para merecer um lugar de descanso final. Aparentemente pareceriam mortais, mas à luz da lua se transformariam em esqueletos”. Agora Bruckheimer estava interessado, então ligou para Cook e disse que faria o filme se pudesse unir o tema inicial, ou seja, Piratas, com um temática mais moderna, o Sobrenatural. Cook concordou na hora!
Acho importante salientar todas as visões aqui colocadas:
Corporativamente, os executivos dos Estúdios de Cinema perceberam que fazer um filme tendo como tema uma das atrações mais famosas dos Parques de Diversões da Disney poderia ajudar no interesse do público, melhorando o resultado nas bilheterias. A divisão dos Parques ganharia com o interesse e a curiosidade sobre a atração, a expectativa era que a taxa de convidados (como é chamado as pessoas que visitam os parques) aumentaria, principalmente no que diz respeito à taxa de retorno. A divisão de licenciamento aproveitaria o sucesso para potencializar a receita com a venda de produtos ligados ao filme.
Artisticamente, o Produtor sabia que um filme de Piratas poderia não ser tão atrativo para o público (pois para ele não era), era um gênero extinto; mas um filme que mistura uma história de Piratas com a força e a curiosidade que o sobrenatural causa nas pessoas, o projeto passaria a ser muito interessante – muito maior que o baixo orçamento para home-cinema… certamente se tornaria um Blockbuster!
Para quem interessar, segue o link do IMDb com todo o currículo do Jerry Bruckheimer: http://www.imdb.com/name/nm0000988/
